Sunday, November 20, 2005

Multiculturalismo a quanto obrigas!

O Alto-comissário para a Imigração e Minorias Étnicas defende que se deve utilizar uma política de integração multicultural. Para ilustrar a sua ideia com uma imagem, disse que se pode comer à mesma mesa, com ou sem talheres.
Eu por acaso prefiro comer com pauzinhos no restaurante japonês e se alguma vez for convidado para comer com um árabe, na sua tenda ou no seu palácio, tentarei não só comer com a mão, mas com aquela, direita ou esquerda, que o costume exige.
Em contrapartida se eu tivesse de recrutar para uma empresa com clientela europeia ou chinesa, alguém para relações públicas, podem ter a certeza de que não contratava quem só comesse à mesa com as mãos.
A imagem do Alto-comissário não foi feliz, pois neste caso, resultava em segregação e exclusão.
O problema é que o multiculturalismo, levado ao extremo, só não resulta em segregação se os de dentro acabarem por aderir à cultura dos que vêm de fora.

Por muito estranho que pareça é o que alguns gostariam. Li um artigo algures no qual o autor dizia a certa altura:
“Por que não ir mais longe e introduzir conteúdos nos programas escolares que tenham a ver com a história e a cultura desses povos africanos? Quem acredita que é apelativo e integrante para um filho ou neto de imigrantes africanos ter como referência Afonso Henriques e a história medieval portuguesa, ou Vasco da Gama ou Afonso de Albuquerque?”

Quer dizer, num país com o ensino no triste estado em que está, onde os alunos nem sequer conseguem apreender convenientemente a história nacional, vamos agora querer que eles conheçam a história africana– escolho um exemplo notável, a história do reino do Congo, para o conhecimento da qual, aliás, também é preciso saber alguma coisa da história de Portugal?
E se não é apelativa para o filho ou neto de um natural do norte de Angola (que agora é português e em Portugal vai ter a sua família e descendentes) a história de Portugal, porque há de ser apelativa para o nosso filho ou neto a história do rei do Congo?
É o multiculturalismo com o freio no dentes.

1 comment:

José Maria Norton de Matos said...

Se fosse esse o caso, aqui nos US as pessoas teriam que aprender as historia do Mexico, da China, de Africa, da Holanda, ...
Se calhar so lhes fazia bem, mas "caindo na real", nao era possivel nem contribuia para a integracao.
Ah, by the way... PARABENS!!