Friday, February 29, 2008

COMEMORAÇÕES DA CHEGADA DA CORTE AO BRASIL


Caí do Céu!!
Imaginem que tive a grande honra de ser convidado pelo Senhor Presidente da República para integrar a comitiva que o acompanha às Comemorações da chegada da Corte ao Brasil.
Lá vou eu para o Rio de Janeiro, muito feliz, uma mão dada ao Professor Cavaco Silva outra ao Último Távora.
Fantástico!
E tenho mais sorte que "O Último Távora". Quem leu o livro recordará que tendo sido nomeado Vice Rei do Brasil teve o desgosto de ver essa nomeação retirada misteriosamente tempos depois.
Seja como for, obrigado aos dois por me permitirem participar nestas fantásticas Comemorações, ponto alto da fascinante História Comum dos dois paises!

Wednesday, February 13, 2008

"O ÚLTIMO TÁVORA" nas "CORRENTES DE ESCRITA"

Esta é que eu não estava à espera ...



A minha editora a D. Quixote para mostrar que promove os seus autores,fez hoje aparecer na Póvoa de Varzim estes carrinhos, com o nome do último livro que os seus autores, presentes nas "CORRENTES DE ESCRITA", publicaram. Uma bela surpresa!!

Sunday, February 03, 2008

DOIS LIVROS EXCEPCIONAIS ... DE PRESENTE!




Não escrevo aqui há tempos!
Tenho estado à espera de uma ou duas novidades … que, infelizmente para mim, ainda se não concretizaram.
Entretanto recebi dois livros de presente que muito enriquecem a minha pequena biblioteca.
Do bom amigo Manuel Bobone veio “As Prisões da Junqueira - Durante o ministério do marquês de Pombal, escrito ali mesmo pelo marquês de Alorna, uma das suas vítimas”. É uma segunda edição de 1882. Um livro raro e interessantíssimo onde se fica a saber quem foram os desgraçados que lá passaram e os que lá morreram e foram enterrados entre 1759 e 1777! Só não se fica a saber ao certo porque lá foram parar pois a maioria o foi sem culpa formada.
O Outro livro é uma tradução em espanhol de uma obra do Professor de História Napoleónica da Universidade do Estado da Florida, USA. Os americanos são assim e este senhor sabe provavelmente mais sobre a 3ª Invasão Francesa do que qualquer português. Pois bem, ofereci-lhe “O Último Távora” e ele retribuiu com “Los Assédios de Ciudad Rodrigo y Almeida, 1810”. O Prof. Donald Horward, assim se chama o autor, fez-me uma dedicatória e mandou-me uma carta cujo conteúdo não revelo por modéstia mas que me deixou orgulhoso.
Trata-se de uma descrição pormenorizada dos primeiros movimentos do exército de Massena até à entrada em Portugal e tomada da fortaleza de Almeida.
Nota final. Porquê em espanhol? Porque a “Diputacion de Salamanca” entendeu que a História é importante e era bom dar a conhecer aos espanhóis o episódio do cerco de Ciudad Rodrigo, ali ao pé.
Nós por cá andamos distraídos a pensar noutras coisas. A substituir a ministra da Cultura, por exemplo. A que sai talvez soubesse o que se passou em Almeida. O que entra, se souber, tiro-lhe o chapéu.

Monday, January 07, 2008

MAIS UM RETRATO DE ALORNA

Uma biografia mesmo depois de pronta, impressa e distribuída ao público, não pára.
Na cabeça de quem a lê e de quem a investigou e escreveu o biografado e as condições da sua vida continuam a palpitar. Elementos novos, e aparecem, levantam dúvidas. O que não foi possível explicar, os aspectos que ficaram obscuros, são como remorsos.
É assim que ainda me vejo agarrado ao marquês de Alorna e aos Távoras. E ainda que já esteja com os olhos e os ouvidos noutros projectos, dou por mim a voltar atrás.
Não há nada a fazer, às vezes as coisas até vêm ter comigo.
Vejam como é.





No livro está publicado um belo retrato do marquês com o capacete emplumado que fazia parte do uniforme da “Legião de Armas Ligeiras” (direita). É de uma pessoa amiga que o comprou num antiquário anos atrás.Pois bem, já depois do livro publicado “encontro” na Biblioteca Nacional “on line” uma gravura a preto e branco, quase igual, e que nunca vira reproduzida em parte alguma (em cima). Talvez um estudo para o retrato a óleo? E lá me ponho a pensar: porquê, como, quando?


Wednesday, December 26, 2007

JOANA DE TÁVORA - MISTÉRIO OU TALVEZ NÃO











O filho dos marqueses de Távora, Luís Bernardo, o marquês novo como se dizia, foi executado com os Pais em Janeiro de 1759. A mulher, que tinha sido ou era ainda amante do rei D. José, foi apenas (?) metida num convento.
Além de marido e mulher eles eram parentes próximos. Muito próximos, pois ela era também tia do marido!!
Teresa Tomásia de Távora e Lorena era irmã do marquês velho, pai de Luís Bernardo. Confuso pode ser, mas é verdadeiro.
Entretanto o casal tinha uma filha que curiosamente não aparece muito nos manuais de genealogia, chegando a dizer-se que não houvera descendência do casamento. Joana Bernarda de Távora viveu com a Mãe no convento pelo menos até à morte do Rei. Daí para a frente não sei mais nada. A menina não deve ter casado e ambas, Mãe e Filha, se perderam no tempo, varridas da memória dos homens.
Ficou apenas uma carta dirigida a Joana (onde a lápis se esbreveu "filha dos marqueses de Távora" entenda-se dos maequeses novos) pelo 2º marquês de Alorna, escrita com certeza depois de 1777 e que se relaciona com as diligências que este desenvolveu para reabilitar os Távoras: “... fazia tenção de ir a Lisboa na sexta feira para um negócio importante em que VExa. tem a maior parte”.








Tuesday, December 11, 2007

INVASÕES FRANCESAS - OS PORTUGUESES EM FRANÇA


Há duas ou três semanas o programa “Câmara Clara” abordou as Invasões Francesas. Foi muito interessante e sobretudo gostei de ouvir a Dra. Maria de Fátima Bonifácio destruir uns quantos lugares comuns sobre aqueles acontecimentos e que muitas vezes são utilizados em público por quem não sabe da matéria. Por exemplo a ideia de que a saída da Corte foi precipitada quando ela estava mais que preparada desde meses antes. E ainda a tendência que há em caricaturar até ao limite a figura de D. João VI esquecendo ou minimizando o que de positivo fez no meio daquele terrível vendaval político, nomeadamente a saída da Corte e as transformações que imprimiu ao Brasil.
Fez melhor do que a Corte espanhola que se foi positivamente entregar nas mãos de Napoleão.
Só fiquei triste quando a Paula Moura Pinheiro lamentou que ninguém depois de Ribeiro Artur em 1901 tivesse escrito sobre os militares portugueses que se juntaram ao exército imperial, combatendo na Europa, fazendo parte da Grande Armée, chegando à Rússia e sofrendo as agruras da retirada. É que não posso enfiar essa carapuça.
No problem.
Vou voltar ao assunto no próximo Actual (Expresso) a propósito da “Lègion d’honneur” condecoração criada por Napoleão para aqueles que prestavam à França serviços relevantes. Apresento uma lista, certamente incompleta de militares portugueses que receberam essa distinção e abordo um pouco um tema que me parece interessante: o que se passou depois com esses homens. Desta questão, sim, têm-se falado ainda menos.
Quanto ao meu “Último Távora”, o marquês de Alorna, que recebeu o grau de comandante da dita “Lègion d’honneur” o que se passou depois, está contado no livro e terminou com a sua morte, o esquecimento e uma certa deturpação do que foi a sua vida.

Tuesday, December 04, 2007

"O Último Távora" em Braga e Porto

No passado fim de semana tive a satisfação de ver “O Último Távora” referido, não só no “Notícias da Manhã”, jornal da área metropolitana de Lisboa, como também em dois diários do Norte - o Notícias e o Janeiro – a propósito da publicação no Brasil.

http://jn.sapo.pt/2007/12/02/cultura/jose_norton_editadono_brasil.html

Que bons auspícios!
É que no dia 9 de Dezembro vou andar por lá, dividindo a tarde entre a FNAC de Braga e o Corte Inglês de Gaia.
Ainda que os Távoras fossem oriundos de Mogadouro o 3º marquês de Alorna não andou pelo Norte.
Havia contudo uma ligação ainda que ténue e que vou referir por curiosidade.
Nas minhas investigações soube que a família Alorna recebia os rendimentos de uma comenda em Souto de Rebordões, concelho de Ponte do Lima. Interessante.

Saturday, December 01, 2007

Pulido Valente arrasa. Miguel Sousa Távares vende.

Saiu no Expresso (Actual) deste sábado um conjunto de entrevistas com historiadores, críticos, escritores e um cronista sobre o “combate” Sousa Tavares - Pulido Valente. Que tem “O Último Távora” a ver com isto? Talvez apenas a História e pouco mais.
Ironizando em causa própria, retive contudo a última parte do depoimento a cargo do arguto Miguel Esteves Cardoso, que aqui reproduzo:
“O V.P.V. aproveita o espaço que o jornal lhe dá para uma crítica a um livro sobre um período que conhece muito bem (para ele deve ser aflitivo ver ao longo dos anos os mesmos erros repetidos) e aproveita para corrigir uma série de preconceitos errados que todos temos. E o que temos aqui é um Vasco culto e genial a fazer a revisão de um romance. É muito útil como sabatina. Claro que isto é o pesadelo de qualquer escritor.”
O sublinhado é meu, e só em sentido muito lato é que serei escritor. Mas uma coisa vos digo com certeza.
Posso ter, e tenho às vezes sonhos maus, como dizia em criança, mas estou muito longe de um “pesadelo” de cem mil exemplares ainda que com o V.P.V. à perna!

Wednesday, November 28, 2007

CONSTÂNCIA E AS INVASÕES


Pois é.

Situada na confluência do Zêzere com o Tejo, esta simpática e bonita vila onde terá nascido Camões desempenhou um importante papel durante as Invasões Francesas.

Por ali passou Junot em Novembro de 1807, já desesperado por perceber que a corte se escapava para o Brasil.

Ali se concentrou a atenção de Massena quando, em 1810/11, depois de se dar conta de que não podia ultrapassar as Linhas de Torres fez planos de atravessar o Tejo junto a Punhete que era o nome que então tinha Constância.

Estive lá ontem para apresentar "O Último Távora", em cerimónia integrada nas iniciativas que marcam os 200 anos das Invasões.

Muito agradável. Vejam como Constância é bonita!

Monday, November 26, 2007

LÁ VEM O JUNOT!


“Há em Espanha bastante movimento que parece de guerra, e nós por cá no maior de todos os descansos.
O assunto é muito de Sua Alteza Real mas também é meu porque cá estou.
Portanto preciso saber o que devo fazer.”

Assim escrevia o marquês de Alorna em Agosto de 1806 para o ministro da guerra, Araújo e Azevedo, quando era Governador Militar do Alentejo.

Pouco mais de um ano depois, franceses e espanhóis invadiam Portugal sem disparar um tiro!

Saturday, November 17, 2007

PARA O BRASIL!!!


A D. Quixote já o anunciou publicamente e eu agora posso fazer o mesmo. "O Último Távora" vai ser editado no Brasil em Janeiro próximo pela Planeta.


Irónicamente o marquês de Alorna também esteve para partir para o Brasil como Vice Rei, mas ao fim de seis meses de gastos e preparativos o Príncipe mandou-lhe esta simpática carta:


“Honrado Marquês de Alorna do meu Conselho, Tenente General dos meus exércitos: Amigo, Eu o Príncipe Regente vos envio muito saudar como aquele que muito amo e prezo. Tendo resolvido por motivos úteis ao meu Real Serviço, suspender, por ora, a nomeação que de vós fiz para o cargo de Vice-Rei e Capitão General de Mar e Terra do Estado do Brasil; e confiado do vosso merecimento, honra e fidelidade, que em todo o serviço em que vos empregar lhe continuareis sempre a dar provas da vossa actividade, zelo e inteligência: hei por bem nomear-vos Governador das Armas da Província do Alentejo”


Com amigos destes ...


Tuesday, November 13, 2007

O LUGAR DA HISTÓRIA


Quando sabemos exactamente aonde as coisas se passaram a História tem outro interesse. Hoje publico uma imagem do Colégio dos Nobres onde Sebastião de Carvalho e Melo pôs o Pedro Alorna a estudar. O lugar chamava-se então A Cotovia onde é agora a rua da Escola Politécnica e a Fac de Ciências.

Sobre o papel do marquês de Pombal na educação do "Último Távora" falo numa entrevista que me fez Ana Daniela Soares da Antena 2 na sua Viagem Secreta.


Sunday, November 11, 2007

UM TEXTO À MEDIDA DE ALORNA


Vejam que belas e adequadas palavras encontrei aqui:




"A aceitação de outras leituras. O livre-arbitrio ou o génio individual, a construção de um caminho paralelo, a beleza de aceitar outras visões. Porque não existem cristalizações eternas. Apenas pequenos castelos de areia que o tempo, a vida e intempéries várias vão nivelando ao nível do chão. Do pó a que retornamos apesar das glórias que podemos viver. Perdidos na neve, encontrados na inocência presumida de que os homens não falham mas apenas se enganam está uma narrativa que se esconde do seu objecto. Nunca seremos mais do que a guerra entre os nossos dois génios, sendo o quotidiano o fog-of-war que nos leva a perder o norte e a encarar como amigos os inimigos. Apenas a prova de que posso arriscar que os meus instintos que me conduziram ali são os correctos. Que se calhar as minhas linhas estavam já para se cruzar com ele, numa qualquer sala poeirenta de um arquivo ou então numa valeta russa pejada de cadáveres."


Sunday, November 04, 2007

SEGUNDA EDIÇÃO!!!


Foi fantástico saber que o livro acaba de passar à segunda edição.

Outra notícia boa foi o fim do diferendo entre D. Quixote e a Bertrand: o "Último Távoea" está agora à venda nessa cadeia de Livrarias.

No Actual de 27 de Outubro (Expresso) saiu uma crítica do José Gabriel Viegas. Naturalmente que gostei imenso da leitura que ele fez. Clicando na imagem acima podem ver o texto.

Friday, October 19, 2007

UM FIDALGO BONAPARTISTA




Na Revista Notícias de Sábado Torcato Sepúlveda fez uma leitura muito inteligente do meu livro,

da qual me permito-me fazer um pequeno excerto:


"Que razões podem ter levado Pedro de Alneida Portugal, terceiro marquês de Alorna a juntar-se aos exércitos napoleónicos aquando das Invasões Francesas?

.....


"Num tempo agitado, varrido pelas Invasões Francesas o marquês teve a lucidez de perceber que a desgraça bateria às portas de Portugal" ... " A sua ideia passou a ser, assim, a criação de um exército forte. E foi essa ideia aquecida ao forte lume do seu anti-inglesismo, que levou Pedro de Almeida Portugal a apoiar a entrada dos franceses em Portugal" ... "Isto é, um grande fidalgo português transformou-se, por causa dos desgostos que o atraso da pátria lhe causavam, num tecnocrata das armas; quis reformar Portugal com o tratamento de choque da invasão estrangeira. Morreu triste no Norte da Europa.

Este interessante livro de José Norton sofre de um mal que vem atacando a literatura portuguesa actual: quando começa a parecer ficção avança com argumentos ensaísticos; e quando assenta arraiais no ensaio, guina para a ficção."


Deu-me 4 estrelas em cinco. Nada mau!

A MALDIÇÃO no Jornal de Letras

Este foi o resultado de uma conversa com Rita Silva Freire do "Jornal de Letras"

A maldição dos Távora
Por Rita Silva Freire

Pedro de Almeida Portugal era ainda uma criança quando viu a sua família ser perseguida pelo Marquês de Pombal. Os avós, os Marqueses de Távora, foram executados em Belém. O pai, encarcerado no Forte da Junqueira. A mãe e as irmãs fechadas no convento de Chelas. Afastado da família, o jovem Marquês de Alorna teve, no entanto, alguém a cuidar da sua educação. Nem mais, nem menos que o próprio Marquês de Pombal. É a biografia de Pedro de Almeida Portugal que José Norton, 62 anos, relata em O Último Távora, desde a sua infância, até às invasões francesas. O autor, a par da sua carreira como economista, tem um grande interesse em História, tendo já assinado as biografias do general Norton de Matos e de Pina Manique. Escreve ainda sobre História e Antiguidades no Expresso.
Como surgiu a ideia de escrever a biografia de Pedro de Almeida Portugal?
Pensei escrever sobre Gomes Freire de Andrade, que era companheiro de armas e amigo do Marquês da Alorna. Ambos embarcaram na grande aventura que foi o contingente militar português que se juntou às tropas de Napoleão, em 1808. Mas, de repente, abandonei o Gomes Freire e comecei com o Marquês de Alorna. Para além da sua história se ler como um romance, revela uma quantidade de factos que vão surgir aos olhos das pessoas como coisas nunca vistas, nem ouvidas, em relação à participação portuguesa nas invasões francesas, como a adesão de grande parte da nobreza portuguesa ao ideário francês. Além disso, encontrei uma grande riqueza de fontes para o Marques de Alorna, nomeadamente no que se refere à sua infância. Vim a descobrir que era neto dos Távoras, e que sobreviveu à hecatombe que caiu sobre a sua família e que acabou por ser, em certa medida, protegido indirectamente pelo Marquês de Pombal, o grande responsável pelos execuções dos Távoras e pelas prisões dos próprios pais de Pedro Almeida Portugal. Tudo isso cria um enredo extraordinário, em que a realidade ultrapassa a ficção.
É contraditório que o próprio Marquês de Pombal tenha ajudado na educação de Pedro de Almeida Portugal?
O Marquês de Pombal reformou o ensino em Portugal e criou o Colégio dos Nobres. Mas a grande aristocracia não apoiava estas reformas. Assim, quem acabou por ir para este colégio foram filhos de amigos do Marquês e filhos dos Távoras que estavam presos. O Marquês de Pombal queria mostrar que a nobreza tinha lugar na sociedade, desde que virada para a educação e o bem público. E claro, que tinha aderido aos seus projectos. Para isso usou Pedro de Almeida Portugal como exemplo.
O que mais admira em Pedro Almeida Portugal?
O que mais admiro é uma situação que se pode dizer que muita gente também viveu com o 25 de Abril. É um homem que vive uma época de mudança. Tem um pé na tradição aristocrática, mas tem também uma educação profundamente iluminista, virada para o futuro. E no fim de contas acaba por ser vitima dessa dualidade. Este homem teve uma vida trágica. O leitor vai materializar o que muita gente falou como tendo sido a maldição dos Távora.

Sunday, October 14, 2007

NOVO BLOG SOBRE TÁVORAS

Surgiu há poucos dias SAGATAVORA

EGA - COMENTÁRIO E ESCLARECIMENTO


Vou incluir aqui e se for caso disso responder a comentários que chegam até mim sobre "O ÚLTIMO TÁVORA".


Zé,
Li este fim de semana o t/ livro.
Não vou dizer que o fiz de um fôlego, como se de um romance se tratasse, bla bla bla.
Li, sim, um livro que me deu enorme prazer ler; que dá a quem o lê uma visão vivida do que foram aqueles desgraçados tempos; que descreve com grande fidelidade (creio) os problemas com que as elites de então se confrontavam, como elas os interiorizavam e resolviam - quase sempre de maneira canhestra, atabalhoada, preguiçosa.
Apercebi-me que nestes últimos 200 anos a Terra deu muitas voltas, e as nossas elites também. Mas contrariamente à Terra, as nossas elites não tiveram movimentos de translação: giraram sempre os 360º da praxe, para darem a ideia de que se moviam, mas acabavam sempre a olhar para o mesmo sítio.
E, para minha grande surpresa, avistei, nas entrelinhas, o espírito republicano do autor. Ah!
Em conclusão: um bom livro, que apetece relêr de quando em vez, que tenho recomendado a torto e a direito - com o senão de o trabalho de revisão editorial ter deixado passar, aqui ou ali, uns pecadilhos linguísticos e uma inexactidão histórica (a monarquia espanhola, ainda que de origem francesa, assumiu, desde cedo, a denominação castelhanizada de Borbón).
Duas perguntas, no final: A condessinha da Ega, sobrinha do infeliz marquês, é a mesma que morre princesa russa? O que foi da pobre Henriqueta?
Parabéns!
Abraço


A condessinha é a mesma e a marquesa coitada não ficou sempre no convento, foi ultrapassada pela cunhada Alcipe nos esforços para reabilitar o marquês e reaver os bens e morreu nos anos vinte.




Sobre a condessa de Ega escrevi o seguinte no Expresso

Stroganoff
Uma colecção de arte com História de Portugal



Poucos escrevem correctamente a palavra, mas qualquer pessoa com cultura gastronómica média sabe do que se trata. A receita é mais ou menos assim: faz-se um refugado na panela e vai-se juntando sucessivamente carne de vaca (quem pode usa lombo), um pouco de polpa de tomate, cogumelos e no fim as natas. Serve-se com arroz. É um Stroganoff.
Pode imaginar-se que se trata do nome de um grande cozinheiro russo que recusando pôr os seus dotes ao serviço das “vítimas da fome” rumou a Paris depois da revolução de Outubro, distinguindo-se entre os maiores da sua arte. De facto, a receita como não podia deixar de ser, foi inventada por um cozinheiro, que era russo, mas Stroganoff era o nome dos patrões.
Oriundos de Novgorod, coração da antiga e santa Rússia, os Stroganoff eram no século XVIII a família mais rica do Império dos Czares. Quando Pedro o Grande começou a fazer de S. Petersburgo uma capital “à europeia” os Stroganoff encomendaram a um arquitecto italiano, Rastrelli, a construção do magnífico palácio barroco que ainda hoje existe na margem de um dos canais da cidade. Cultos, viajados e atentos às Luzes, coleccionaram arte e objectos preciosos da antiguidade clássica. Foram também mecenas de artistas seus contemporâneos: mandaram executar bustos de Voltaire e Diderot ao escultor Jean Antoine Houdon, por exemplo. Na galeria de pintura reuniram mais de cem quadros dos melhores pintores de sempre: Van Dyck, Rembrandt, Michelangelo, Luca Giordano, Goya e Velasques. Tal como a sua fortuna, a colecção Stroganoff era também a mais importante da Rússia.
Com a revolução de 1917 o palácio de S. Petersburgo foi transformado em museu, vindo a ser fechado em 1920 e o recheio espalhado por vários museus: o Hermitage, o Museu de Leninegrado e o Museu Pushkin de Belas Artes em Moscovo. Pelos anos trinta, numa situação de aperto, o camarada Staline mandou vender em leilão, na Alemanha do seu ainda amigo Adolfo Hitler, uma parte da colecção. Daí que, por exemplo, o quadro “Jeremias Lamentando a Destruição de Jerusalém” de Rembrandt, se encontre presentemente no Rijksmuseum de Amsterdam.
Agora que já conhecemos alguma coisa dos Stroganoff e da sua colecção é altura de saber o que tem tudo isso a ver com a História de Portugal.
Em 1800, Juliana de Almeida, filha da que viria a ser a marquesa de Alorna, casou com o conde da Ega (nome de uma pequena povoação da região de Coimbra), então viuvo e muito mais velho, pois ela pouco passava dos dezasseis anos. Naquele tempo as mulheres que casavam, faziam-no quase sempre por interesse ou necessidade das famílias.
Pouco depois o conde, de seu nome Ayres José Maria de Saldanha e Albuquerque, foi nomeado embaixador em Madrid. Aí ficou o casal até Outubro de 1807 quando já o exército francês, apoiado pelos espanhóis, iniciara o avanço sobre Portugal, para concretizar a ocupação a que se chamou 1ª Invasão Francesa. Naqueles momentos aflitivos para o trono de Portugal e seus ministros ninguém quis saber dos pontos de vista do ex embaixador em Madrid, o que o terá deixado bastante despeitado. Logo que, na sequência da partida de D. João VI para o Brasil, um Junot todo poderoso se instala em Lisboa, o conde tornou-se no mais visível e dedicado partidário dos franceses. Menos de um ano depois, quando a sorte se virou contra estes e ficou claro, depois das batalhas da Roliça e Vimeiro, que seriam expulsos de Portugal, Ega receou justificadamente pela sua vida e refugiou-se a bordo de um navio que o levou a França. Exilado em Paris, Napoleão evitou que caísse na miséria atribuindo-lhe uma elevada pensão.
Os anos passaram e na primavera de 1811 a jovem condessa de Ega, de saúde débil, foi até Florença como agora dizem alguns, fazer um “spa”, ou seja, foi a águas.
Tudo leva a crer porém que fosse no seu jovem e ardente coração que o problema se encontrava. Quis o destino atravessar-lhe nos caminhos de Itália aquele que havia de a curar de todos os males.
“Um anjo tutelar, o melhor dos amigos, Mr. de Stroganoff veio em meu socorro”, escreveu ela a sua mãe. Grigori Alexandrovitch, barão e futuro conde de Stroganoff, era um velho conhecido seu de Madrid onde também estivera como embaixador do Czar.
Foi uma mudança vertiginosa na vida de Juliana. Não deixou, porém, de ser condessa, pois de Ega passou a Stroganoff, e tanto bem à saúde lhe fez a troca, que viveu oitenta e dois anos, morrendo em 1864 naquele belo palácio de S. Petersburgo no meio da maior colecção de arte da Rússia.

Friday, October 12, 2007

Sessões de autógrafos - Coruche e FNACOLOMBO

Agora vai começar o que os anglo saxónicos chamam de road show.
Eu, como bom neófito estou excitadíssmo.
No dia 15 vou a Coruche. Festas municipais com Feira do Livro às 21 horas.
No dia 1 de Novembro estarei à tarde na FNAC. Só à tarde porque a Mariana Norton, minha filha dá um concerto com o seu grupo de Jazz na Livraria Ler Devagar no Braço de Prata.

Tuesday, October 09, 2007

TOP TOP TOP


Que tem isto a ver com o marquês de Alorna, "O Último Távora"? Isto não é o Flickr ...
Nada a ver. É uma vergonha. Há cinco dias que não escrevo!

Primeiro tive de ressaca, mas agora não tenho desculpa ... ou tenho.

Passei dois dias no Minho de papo para o ar. Até fiz fotos como esta que abre a mensagem de hoje. Foi bom desanuviar porque a semana começou em cheio.
Segunda feira entrevista para "À volta dos Livros" por Ana Aranha. Com um fim de semana tão bom ia-me esquecendo. Cheguei mesmo à hora. Sai na sexta feira próxima.
E também me tinha esquecido do colóquio internacional sobre a Saída da Corte para o Brasil organizado pelo Arquivo Histórico Ultramarino. Enfim, dois dias cheios.
Chego a casa vou à internet e que vejo? O "Último Távora" está no TOP do Corte Inglês.
Pouco depois um familiar diz-me que também está no TOP da Boulhosa de Oeiras.
Para mim é fantástico.
Tenho de agradecer a tanta gente!!